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Marcel

Foi o lugar que Marido escolheu para o jantar de aniversário.

O Marcel é um lugar tradicional. Tra-di-cio-nal. Por questão de comodidade, escolhemos a filial dos Jardins, um maldito restaurante de flat (odeio restaurantes de flats, hotéis e hospedarias em geral). Ainda assim, o lugar transpira tradição. Por todos os poros.

 

É um salão amplo, com poucas mesas – e bastante distância entre elas, olha que coisa boa. São mesas de madeira pesada e escura; cadeiras pesadas e ultraconfortáveis, estofadas de tecido tipo jaquard estampado. Lugar escurinho, luz de velas, quadros clássicos na parede. Pegou o clima?

Guardanapos de linho, pratos de porcelana (lindos! Cada prato da mesa tinha uma estampa diferente, e a desarmonia era totalmente harmoniosa), taças de cristal, talheres de prata, tudo comme Il faut.

 

Quando cheguei, todos à mesa tomavam suco de tomate – eu detesto suco de tomate = catchup com gelo no copo – e disseram que estava muito bom.

 

O couvert era simples, mas muito bem executado: pães de diversos formatos (todos frescos e quentes), torradas, manteiga, um patê de foie DIVINO (cremoso, bem temperado e super leve). Também foram servidos um confit de tomate, picante na medida e um patezinho de legumes que eu não consegui identificar (também picante, também saboroso).

 

Na hora de pedir o prato, fui na tradição: suflê. O meu era de queijo brie com cogumelos e aspargos. Pedi no tamanho pequeno, uma lady.

 

O suflê estava efetivamente bem feito. Leve, leve, leve, como nunca faremos em nossas casas. Uma casquinha crocante e saborosa na parte de cima. Mas……… achei que faltou um pouquinho de sabor. Quase não se sentia o gosto do brie, e os aspargos e cogumelos, talvez moles demais, talvez muito poucos, não apareceram na boca. Ficou um sabor um tanto quanto indeterminado (sabe aquela coisa borderline entre o sabor suave e o sabor inexistente? Então).

No geral, dou nota seis para o suflê: dez na textura, dois no sabor. Ficou devendo, dada a tradição e os prêmios que a casa detém (e os preços na coluna direita do cardápio, principalmente).

 

Na mesa também foram pedidos:

– suflê de frutos do mar – recebeu elogios calorosos na textura e moderados no sabor.

– confit de pato acompanhado de feijão branco – provei, estava MESMO super saboroso. Me arrependi totalmente por não ter pedido.

– rabada – também foi efusivamente elogiada

 

Desta vez pedimos sobremesa (o suflê LEVE era tamanho PEQUENO, lembra?).

Tudo o que o suflê não correspondeu, o profiterole fez. E sobrou.

Era um super profiterole gigante, de massa levíssima e crocante, recheado com sorvete. Quando eu pensei em fazer uma mini cara de frustração “falta algo no meu prato” um garçom saído sabe-se lá de onde se materializou ao meu lado com uma jarra de calda de chocolate e começou a “temperar” o prato.

Hum.

Que delícia. A calda tinha um amarguinho delicioso, que combinava perfeitamente com o doce do sorvete e o doce super suave da casquinha. Certamente a melhor parte do jantar.

Na mesa também foram pedidos:

– petit gateau – não provei, foi considerado na média dos bons petits gateaux por quem pediu

– frutas vermelhas flambadas – também não provei; foi considerado meio sem atrativos

– torrone gelado – este eu provei. Super bem apresentado, mas não deixa de ser um sorvete. Dos médios.

O profiterole com certeza foi o grande destaque nas sobremesas.

 

No geral, achei o ambiente super tradicional sem ser sufocante, o serviço excelente, o couvert muito bom, o famoso suflê decepcionante e o profiterole redentor.

 

Considerando o preço e a fama, esperava mais. Acho que não voltaria se tivesse que pagar a conta.

 

Quanto gastamos – cerca de 120 reais por pessoa (couvert, suco de tomate, pratos, duas garrafas de vinho para seis pessoas e sobremesa).

Onde fica – Rua da Consolação, 3555

Jardins – São Paulo – SP

www.restaurantemarcel.com.br

Carlota

O Carlota é o meu restaurante preferido em São Paulo. Pronto falei.

Acho que ele tem um ambiente super despojado e elegante ao mesmo tempo (minha cara, hehe), um mix de clientes interessante (no mesmo lugar a gente vê gente de jeans e gente de Chanel dos pés a cabeça, e todos estão sempre super a vontade e integrados com o local) e um cardápio que, ah, é o cardápio do Carlota – o típico menu que te deixa em dúvida entre umas oito opções que você quer MUITO igualmente.

 

Começando pelo lugar: é lindo. Fica em Higienópolis (bairro bacanudo, todo arborizado, prédios antigos e liiiindos), o que já é um ÓTIMO primeiro passo, pela beleza do entorno.

Está em uma casinha antiguinha, toda charmosa. Na entrada uma agradável área de espera, parecendo um jardim, com mesinhas de ferro baixinhas. Por dentro, as paredes são brancas, o piso é de madeira, os móveis são clássicos, mas com um que de modernosos (acho que pela mistura de estilos e pelo contexto todo do lugar). O bar é agradável de ficar, é gostoso pedir uma bebidinha enquanto espera (quase inevitável se você não reservar).

 

Fazia um tempinho que eu não ia lá, e neste intervalo de ausência tinha ouvido de várias pessoas que o Carlota não é mais o mesmo, que a super fama da chef (e a consequente diminuição do tempo dedicado à supervisão da casa) tinha acarretado em uma queda da qualidade, que o lugar tinha virado programa turístico e que tinha perdido um pouco do charme.

 

Chegamos – eu e marido – lá em um sábado, perto das dez da noite. Preparados para esperar uma hora ou mais pela mesa. Sentamos no balcão do bar, pedimos um vinho (delicioso, pena que eu nunca vou lembrar qual era)… e a hostess nos chamou para sentarmos (vale ressaltar que sempre falamos que não nos importamos de sentar na área de fumantes, o que costuma diminuir consideravelmente o tempo de espera em qualquer lugar da cidade). O sinal amarelo acendeu – os comentários, a espera mínima…

 

Sentamos, e ao redor vários sotaques. Tinha mesa conversando em francês, tinha sotaque do nordeste, do sul… será que o lugar tinha mesmo virado ponto turístico? Nova Famiglia Mancini???

 

Dispensamos o couvert e pedimos os famosos rolinhos vietnamitas de entrada. Apesar da fama, eu nunca havia experimentado os danadinhos. Quando vieram à mesa… decepção. Uma massa fininha parecendo aquelas massas de guioza, cozida, recheada com UM MONTE de verduras e cenouras raladas cruas e UM PINGO de camarão. Acompanhada de dois molhinhos – que eu achei a melhor coisa do prato, por serem picantes e bem temperados, ao contrário dos rolinhos mega insossos.

 

Neste momento o alerta máximo acendeu. Será que o Carlota tinha mesmo decaído? Será que os pratos seriam uma decepção total? Será que eu teria que arrumar outro restaurante-preferido-em-SP????

 

Fizemos o pedido. Não teve negociação, e acabamos pedindo o mesmo prato (sempre tento obrigar Marido a pedir um prato diferente do meu, para poder pegar garfadas do dele): lulinhas baby grelhadas, acompanhadas de risoto de camarão com brie.

 

Quando os pratos chegaram… UFA. Vamos lá, repitam todos comigo: UFA. A primeira garfada já trouxe uma lula baby super carnudinha e macia, temperada na medida (marcante sem deixar de ser suave). A segunda garfada trouxe um risoto daqueles bem cremosos, com um sabor suave (embora fosse perfeitamente possível reconhecer o camarão e o brie) que equilibrava perfeitamente o tempero marcante das lulas.  

Comi até o final, sem ficar enjoada sem cansar do sabor. Quando acabei, apesar de estar mais que satisfeita, comeria mais um pouco – de tão gostoso que estava. A impressão de Marido foi a mesma.

Comemos tanto que dispensamos a sobremesa, deixando para provar o famoso suflê de goiabada com calda de requeijão no dia seguinte, na casa do sogro – que executa a sobremesa à perfeição, olha que sorte a minha.

 

Terminamos o jantar super felizes e satisfeitos, por termos comido tão bem como esperávamos e por saber que, apesar dos boatos e maledicências, o Carlota continua firme e forte. E aqueles sotaques todos só mostram que os brasileiros de todas as regiões (e os gringos) têm é um bom gosto danado.

 

 

Quanto gastamos – com vinho, uma entrada e dois pratos, o total da conta foi por volta de 150 reais por pessoa.

Fica na Rua Sergipe, 753 – Higienópolis – SP

www.carlota.com.br

 

Frevo

 

 

Fazia tempo que eu não visitava este lugar SUPER tradicional (e delícia) daqui de São Paulo.

Fui almoçar por lá em um sábado de comprinhas nos Jardins. E, para variar, não me arrependi.

Sem medo de cometer uma semi-heresia, dispensei o Beirute tradicional (com queijo, rosbife e salada) e me joguei no ultra calórico e ultra delicioso beirute parmegiana.

Se você não conhece o local ou o prato, sim, é o que você está pensando: um bifão a parmegiana recheando duas singelas fatias de pão sírio.

Não é um filé a parmegiana qualquer. Ele reúne todos os elementos determinantes de um BOM filé a parmegiana (não é tão fácil encontrar um prato que reúna todos eles):

– O filé é macio

– O empanado é super sequinho e crocante.

– O molho de tomate é caseiro, claramente feito a partir de docinhos e suculentos tomates frescos, e não de tomate pelado, não tem nada de acidez e tem um temperinho delícia. Vem na quantidade certa, sem miguelança e sem afogar a pobre carne indefesa.

– O queijo é Palmira e é abundante.

 

Para completar, o pão sírio é daqueles mais maciozinhos, e vem ligeiramente tostado.

 

Quer saber? Dos deuses.

 

Dica: eu sempre acabo pedindo o tamanho normal, e não sobra um espacinho para a sobremesa clássica do lugar (o Capricho), que eu NUNCA experimentei (espaço para expressões de espanto e terror). Portanto, recomendo com força – e quero fazer isso da próxima vez – que você peça o tamanho mini. É super suficiente para alimentar uma pessoa normal faminta (se for o parmegiana – nos outros recheios, mais leves, o normal é de bom tamanho). O tamanho regular acaba sendo meio grande.

 

Quanto gastamos – fomos em dois, pedimos um Beirute parmegiana cada um e uns dois ou três chopes (que também é do bom) e o total da conta foi uns 55 reais.

 

Onde fica – Rua Oscar Freire, 603 – Jardins – SP

Tem também na Augusta, pertinho Espaço Unibanco

 

www.frevinho.com.br

St. Louis

Mais um da série “a pé pela vizinhança”.

O St. Louis é uma lanchonete. Bem pequena e bem charmosa. O ambiente tem meia-luz, as mesinhas de madeira combertas com toalhas xadrez, os bancos ao invés de cadeiras, os pôsteres e objetos bem “american” espalhados… tudo isso torna o lugar bem bonito e atrativo.

Mas o atrativo maior está no cardápio. Os sanduíches são simplesmente maravilhosos.

Vamos aos pratos provados na sexta-feira:

– Pedimos buffalo chicken para a entrada. Meia porção (atenção, porque tudo lá é enorme). As asinhas estava incrivelmente carnudas, e as coxinhas das asas, então, nem se fala. O frango estava bem crocante. O problema é que elas vieram simplesmente NADANDO no molho. O molho era picante (como esperávamos) e bastante saboroso, mas, na minha opinião, tava sobrando. Da próxima vez, vou lembrar de pedir com metade do molho. Acompanhando, um potinho com molho que eu não sei qual era, mas tinha um gostinho muito bom de blue cheese e que ajudou a cortar um pouco o excesso de molho apimentado. Na média, muito bom.

– Eu fui de Blue Burguer, porque dificilmente consigo resistir à combinação de hamburguer com gorgonzola… com certeza já experimentei os blue burgers de todas as lanchonetes que costumo frequentar, e este está entre os melhores. O pão é MUITO macio, o hamburguer é muito saboroso, alto e tem o miolo bem rosadinho (eu sempre peço ao ponto, é claro), e o chutney de cebola, meio docinho, quebra bem o salgado do molho de queijo. Fechando, rúcula bem crocante em uma quantidade perfeita. Delícia.

– Namorido escolheu o Ranchero. Hamburguer com cheddar, chilli e pico de galo. É mais picante, me agrada menos. Mas o pãozinho macio e o hamburguer alto, rosadinho e delicioso é o mesmo.

Todos os hambuergueres são acompanhados por um potinho de cole slaw, saladinha de repolho com cenoura que eu AMO desde sempre, e que o St. Louis executa com maestria.

É possível pedir, por mais uns quatro reais, que os sanduíches venham acompanhados de batata frita ou onion rings, mas, principalmente se a fome não foi ogra ou se você tiver pedido entrada, fica muito grande.

As onion rings de lá são um caso a parte, como a berrie lemonade (sim! limonada com frutas vermelhas!), mas, como post de memória não vale, vou ter que ir lá de novo, comer, e comentar aqui… que pena. ‘Só vou subverter um pouco a regra para te avisar:  o hamburguer com champignos (acho que chama champ burger, não tenho certeza) é enjoado, porque vem com excesso de queijo fundido. Fuja.

O cardápio de sobremesas é atrativo, mas não foi dessa vez que conseguimos provar…

Tomamos uma cervejota e saímos de lá felizes, felizes.

Recomendado.

Endereço: Rua Batataes, esquina com a Alameda Joaquim Eugênio de Lima, no Jardim Paulista.

Tel. 3051.3435

Funciona das 12 às 14 e das 19 às 23 horas e fecha na segunda.

Apesar do lugar ser bem pequeno e de viver cheio, não me lembro de longas esperas por uma mesa.

 

Veloso

Ai. Vamos lá. O grande destaque dos últimos tempos.

Eu sempre lia sobre este bar, ficava com vontade de ir e, na hora do “onde vamos?” acabava esquecendo da existência dele e terminava nos mesmos lugares de sempre.
Até que teve um dia de muita chuva e caos no trânsito (nássa, inédito esse dia) que o critério foi “menos de 10 minutos de casa, e tem que estar no contra-fluxo”. Bendita chuva, bendito caos.

Lembrei do Veloso e fomos.

Saímos de lá, eu e Namorido, maravilhados.

Neste sábado, repetimos a dose. Chamamos meu irmão e esposa e fomos.

O Veloso é um boteco. Bo-te-co. Não é “boteco chique”, veja bem. É boteco mesmo. É pequeno e tem poucas mesas, portanto, chegue cedo.
Os caras compraram um botequinho de bairro (balcão de fórmica, piso de ladrilho vermelhinho), trocaram as mesas de metal por umas melhorzinhas, de madeira, colocaram uma janelona para vermos a cozinha e foram que foram.

Foram cuidar do que é mais importante: contrataram um cara que tem a fama de fazer as melhores caipirinhas de SP (e que mostrou que merece toda a fama que tem) e montaram um cardápio de primeiríssima.

Nesta última vez, eu e namorido estávamos numa vibe de “vamos experimentar todas as caipirinhas desse cara”. Irmão e cunhada, de ressaca, ficaram olhando (e tomando um chopinho muito do bom, mas longe de ser dos melhores) enquanto varávamos o cardápio.

Combinações que provamos:

– Carambola com manjericão, com vodca – sensacional. Muito saborosa, mesmo. O manjericão realça muito bem o sabor da carambola, que estava bem docinha. Lembrei de pedir com pouco açucar, e acho que fiz bem. Nota 10.

– Limão com gengibre, com cachaça – para mim, caipirinha de limão tem que ser com cachaça. Combinação perfeita, feitos um para o outro. E com o gengibre que eles tiveram a idéia de colocar, a combinação que já era perfeita ficou… sei lá. Mais que perfeita?

– Tangerina com pimenta dedo de moça, com vodca – olha, essa idéia de colocar “temperinhos” junto com as frutas muito me agradou, viu? Outro caso em que o sabor do “tempero” realçou o sabor da fruta. Muito boa mesmo.

– Frutas verdes – kiwi, uva itália e carambola (não sei desde quando carambola é verde, mas ok), com vodca – desta eu gostei menos. Estava boa e talz, mas eu sou um pouco alérgica a kiwi (sério), tomei só uma provinha e achei um pouco sem graça. Essa eu passaria.

– Lima da pérsia, com vodca – eu sinceramente acho que lima da pérsia é até gostosa, mas tem um pouco de gosto de sabão. Namorido adora. Então no quesito específico “caipirinhas de lima da pérsia” esta é sensacional, mas no quesito “caipirinhas em geral” está lá embaixo no ranking.

Por mais incrível que possa parecer, não saímos de lá completamente bêbados, porque tão bons quanto “os bebes” são “os comes”. Desta vez, pedimos coxinha, bolinho de carne, bolinho de arroz e coxinha de novo (embora o cardápio tenha muitas tentações, a coxinha, ah, a coxinha…). Os salgados são grandes e as porções são superbem servidas (eles também fazem meia porção). Estávamos em quatro pessoas, duas delas va-ra-das de fome, e três porções seriam suficientes. A quarta… foi a da gula, afinal, era a coxinha…

– A coxinha: pense em uma massa cremosa. Pense em uma massa leve. Pense em uma massa fininha. É assim a massa da coxinha do Veloso. Cremosa, levinha, fina e muito saborosa. O recheio é farto e bem gostoso. O frango tem um tempero muito saboroso e a proporção frango-catupiry (são misturados, do jeito que eu prefiro) é a ideal, o catupiry não “encobre” o sabor do frango. Sei que vou ser acusada de heresia e talz, mas com certeza essa é amelhor coxinha que eu já comi (desculpaê, mãe). Dá um baile na do Frangó, mas de longe. Imperdível.

– O bolinho de carne: bom, o bolinho de carne do Veloso é igual ao da minha mãe, mas melhor. Falei tudo, né? É um bolinho grande, com a casca crocante e o meio cor-de-rosa, mal passado. Maravilha.

– O bolinho de arroz com linguiça: sou tarada por bolinho de arroz. Ta-ra-da. Já provei muito bolinho de arroz nessa vida. Este decepcionou. A massa estava até que saborosa, parecia um risoto de linguiça, e a linguiça misturada dava aquele toque de sabor. Mas o meio estava frio. Fala sério. Depois da melhor coxinha que eu já comi, da versão melhorada do bolinho de carne da minha mãe… eles vêem com um bolinho de arroz com o miolo gelado. Não dá, né. Não peço mais.

Tirando a decepção do bolinho de arroz, o resto todo estava perfeito.

Com certeza é um lugar para voltar muitas e muitas vezes (prepare-se, você vai ler sobre ele aqui várias vezes), até porque a meta agora é provar TODOS os petiscos do cardápio, e todos os sabores de caipirinha…rsrsrsrsrs…

Moema Natural

No sábado fui almoçar com a Dani em um restaurante chamado Moema Natural. Ela tinha compromisso, e queríamos um lugar perto da casa dela.

Acertamos na escolha.

O Moema Natural é o que eu chamo de restaurante honesto.

O salão é bem bonito, todo clarinho e iluminado (e olha que o dia estava feio e chuvoso). Eles servem um buffet, preço fixo por pessoa.

No sábado, pudemos escolher entre algumas variedades de salada (não fiquei contando, né?), entre as quais grão de bico (que eu adoro) superbem temperado, mousse de parmesão, mandioquinha ralada com uva passa e castanha do pará. As outras eram básicas, mas estavam bem gostosas (tomate bem vermelho, alho poró frequinho, alface crocante…).

Nos quentes, tinha um frango com molho de cogumelo que estava divino, e um peixe com espinafre que estava médio (sim, a delicada aqui coloca uma colherzinha de cada um para poder experimentar tudo). Se eu soubesse, teria ficado só no franguinho. Acompanhando, arroz integral, feijão, purê de batata (muito gostoso, delicado), verduras refogadas (couve e uma outra, sou meio ruim de reconhecer verduras). E um pãozinho de sementes de linhaça imperdível, que eles fazem por lá mesmo. Macio e saboroso.

Para fechar, uma mesa de sobremesas na linha natureba, das quais eu experimentei a torta de uva itália (deliciosa, praticamente só uva), o pavê de coco (gostoso, nada fora do comum) e uma maçã cozida (boa, meio doce demais). A Dani pegou um bolo de chocolate, que estava massudo e meio sem gosto.

O buffet ainda inclui dois tipos de suco, e no dia as opções eram manga (que eu detesto e não experimentei) e guaraná (que estava gostosinho).

A comida é gostosa, leve e o preço (18 reais por pessoa) é muito justo. Para um almoço rápido ali pela região é uma boa pedida.

Obs – lota no almoço do sábado, viu? Forma fila e tudo. Se for, chegue cedo.

Endereço:

Alameda Jauaperi, 1332

Moema – SP

Abre ao meio dia, não encontrei o horário que fecha.

Tel. 5542.8399

 

 

 

Shigue

Esse é aquele restaurante do bairro, sabe? Aquele que a gente, nos dias de trânsito e preguiça, fala: “vamos no japonês?”. Assim, “o japonês”, sem nem precisar falar qual é.

Mas não pense que o único motivo das visitas a este japonês é a praticidade ou a preguiça de pegar o carro. Mas de jeito nenhum. Porque, na minha opinião, este é o japonês de melhor custo-benefício que conheço.

A decoração não tem nada de mais. Mas nada. Não contrataram um arquiteto para fazer a reforma, com certeza. Mas o ambiente tem o que eu acho que é o maior dos controles de qualidade de um restaurante japonês: um monte de gente de olhinhos puxados falando em japonês, fumando desbragadamente e bebendo de suas próprias garrafas de uísque e saquê. Se você chegar em um restaurante japonês e a frequência tiver este tom, pode sentar que a coisa vai ser boa.

No Shigue, as palavras “cream cheese, maionese e rodízio” não são proibidas. Elas simplesmente não fazem sentido. Se você perguntar para o Armando (o dono e sushiman) o que é cream cheese, é capaz de ele te olhar com olhos esbugalhados e falar: “cream o que?”. (a esposa dele, e responsável pelo caixa e pelo serviço, deve saber, uma vez que sempre nos encontramos no mercado do bairro).

Portanto, espere um japonês tradicional. Tradicional assim, com T maiúsculo. E neuroticamente preocupado com a qualidade, a ponto de uma vez ter se recusado a servir salmão porque não fora encontrado o peixe com o frescor adequado.

Espere também peças delicadas, de peixes ultra frescos e sempre absolutamente saborosos. Pouco arroz e muito peixe nos sushis. Tudo sempre absolutamente fresco e absolutamente delicioso. Sempre tem algo diferente para provarmos. Na sexta-feira, o combinado veio com salmão, atum, curupau e olho-de-boi ( mas é claro que aqui não existe aquele reducionismo de “salmão, atum e peixe branco”, aqui peixe branco tem nome, sobrenome e variedade). Dependendo do dia, tem agulhão (indescritível), ovas, polvo… Os temakis vão na linha do pouco arroz-muito peixe, envoltos pela alga sempre muito crocante.

Eu prefiro sentar no balcão. O Armando vai falando o que tem enquanto prepara os combinados. Ele já sabe do que gostamos mais e dá uma caprichada.

Os frequentadores que conversam em japonês sempre comem e elogiam muito os pratos quentes, falam que é de primeira qualidade, mas, para ser sincera (embora tenha salivado muitas vezes com as coisas que passam na minha frente) eu gosto tanto dos frios que nunca provei os quentes. Quem sabe um dia? 

Enfim, um japonês imperdível. Do nível do Kosuhi e do Nagayama, mas pela metade do preço.

Pelo número de vezes que você vai me ver falar dele aqui, vai entender como eu gosto desse lugar.

PS. se você for lá, prefira os dias da semana. Nas sextas e sábados, chegue antes das nove, porque o Armando trabalha sozinho e, depois dessa hora, o restaurante fica bem cheio e a comida costuma demorar bastante para chegar.

Como esse não tem site, anota aí o endereço:

Rua Sampaio Viana, 294 (bem na esquina com a Rua Oscar Porto).

Tel: 3885.9606

Paraíso – SP

Funciona de segunda a sábado, das 11:30 às 14:30 e das 18:30 às 22:00. Fecha aos domingos.