Carlota

O Carlota é o meu restaurante preferido em São Paulo. Pronto falei.

Acho que ele tem um ambiente super despojado e elegante ao mesmo tempo (minha cara, hehe), um mix de clientes interessante (no mesmo lugar a gente vê gente de jeans e gente de Chanel dos pés a cabeça, e todos estão sempre super a vontade e integrados com o local) e um cardápio que, ah, é o cardápio do Carlota – o típico menu que te deixa em dúvida entre umas oito opções que você quer MUITO igualmente.

 

Começando pelo lugar: é lindo. Fica em Higienópolis (bairro bacanudo, todo arborizado, prédios antigos e liiiindos), o que já é um ÓTIMO primeiro passo, pela beleza do entorno.

Está em uma casinha antiguinha, toda charmosa. Na entrada uma agradável área de espera, parecendo um jardim, com mesinhas de ferro baixinhas. Por dentro, as paredes são brancas, o piso é de madeira, os móveis são clássicos, mas com um que de modernosos (acho que pela mistura de estilos e pelo contexto todo do lugar). O bar é agradável de ficar, é gostoso pedir uma bebidinha enquanto espera (quase inevitável se você não reservar).

 

Fazia um tempinho que eu não ia lá, e neste intervalo de ausência tinha ouvido de várias pessoas que o Carlota não é mais o mesmo, que a super fama da chef (e a consequente diminuição do tempo dedicado à supervisão da casa) tinha acarretado em uma queda da qualidade, que o lugar tinha virado programa turístico e que tinha perdido um pouco do charme.

 

Chegamos – eu e marido – lá em um sábado, perto das dez da noite. Preparados para esperar uma hora ou mais pela mesa. Sentamos no balcão do bar, pedimos um vinho (delicioso, pena que eu nunca vou lembrar qual era)… e a hostess nos chamou para sentarmos (vale ressaltar que sempre falamos que não nos importamos de sentar na área de fumantes, o que costuma diminuir consideravelmente o tempo de espera em qualquer lugar da cidade). O sinal amarelo acendeu – os comentários, a espera mínima…

 

Sentamos, e ao redor vários sotaques. Tinha mesa conversando em francês, tinha sotaque do nordeste, do sul… será que o lugar tinha mesmo virado ponto turístico? Nova Famiglia Mancini???

 

Dispensamos o couvert e pedimos os famosos rolinhos vietnamitas de entrada. Apesar da fama, eu nunca havia experimentado os danadinhos. Quando vieram à mesa… decepção. Uma massa fininha parecendo aquelas massas de guioza, cozida, recheada com UM MONTE de verduras e cenouras raladas cruas e UM PINGO de camarão. Acompanhada de dois molhinhos – que eu achei a melhor coisa do prato, por serem picantes e bem temperados, ao contrário dos rolinhos mega insossos.

 

Neste momento o alerta máximo acendeu. Será que o Carlota tinha mesmo decaído? Será que os pratos seriam uma decepção total? Será que eu teria que arrumar outro restaurante-preferido-em-SP????

 

Fizemos o pedido. Não teve negociação, e acabamos pedindo o mesmo prato (sempre tento obrigar Marido a pedir um prato diferente do meu, para poder pegar garfadas do dele): lulinhas baby grelhadas, acompanhadas de risoto de camarão com brie.

 

Quando os pratos chegaram… UFA. Vamos lá, repitam todos comigo: UFA. A primeira garfada já trouxe uma lula baby super carnudinha e macia, temperada na medida (marcante sem deixar de ser suave). A segunda garfada trouxe um risoto daqueles bem cremosos, com um sabor suave (embora fosse perfeitamente possível reconhecer o camarão e o brie) que equilibrava perfeitamente o tempero marcante das lulas.  

Comi até o final, sem ficar enjoada sem cansar do sabor. Quando acabei, apesar de estar mais que satisfeita, comeria mais um pouco – de tão gostoso que estava. A impressão de Marido foi a mesma.

Comemos tanto que dispensamos a sobremesa, deixando para provar o famoso suflê de goiabada com calda de requeijão no dia seguinte, na casa do sogro – que executa a sobremesa à perfeição, olha que sorte a minha.

 

Terminamos o jantar super felizes e satisfeitos, por termos comido tão bem como esperávamos e por saber que, apesar dos boatos e maledicências, o Carlota continua firme e forte. E aqueles sotaques todos só mostram que os brasileiros de todas as regiões (e os gringos) têm é um bom gosto danado.

 

 

Quanto gastamos – com vinho, uma entrada e dois pratos, o total da conta foi por volta de 150 reais por pessoa.

Fica na Rua Sergipe, 753 – Higienópolis – SP

www.carlota.com.br

 

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Frevo

 

 

Fazia tempo que eu não visitava este lugar SUPER tradicional (e delícia) daqui de São Paulo.

Fui almoçar por lá em um sábado de comprinhas nos Jardins. E, para variar, não me arrependi.

Sem medo de cometer uma semi-heresia, dispensei o Beirute tradicional (com queijo, rosbife e salada) e me joguei no ultra calórico e ultra delicioso beirute parmegiana.

Se você não conhece o local ou o prato, sim, é o que você está pensando: um bifão a parmegiana recheando duas singelas fatias de pão sírio.

Não é um filé a parmegiana qualquer. Ele reúne todos os elementos determinantes de um BOM filé a parmegiana (não é tão fácil encontrar um prato que reúna todos eles):

– O filé é macio

– O empanado é super sequinho e crocante.

– O molho de tomate é caseiro, claramente feito a partir de docinhos e suculentos tomates frescos, e não de tomate pelado, não tem nada de acidez e tem um temperinho delícia. Vem na quantidade certa, sem miguelança e sem afogar a pobre carne indefesa.

– O queijo é Palmira e é abundante.

 

Para completar, o pão sírio é daqueles mais maciozinhos, e vem ligeiramente tostado.

 

Quer saber? Dos deuses.

 

Dica: eu sempre acabo pedindo o tamanho normal, e não sobra um espacinho para a sobremesa clássica do lugar (o Capricho), que eu NUNCA experimentei (espaço para expressões de espanto e terror). Portanto, recomendo com força – e quero fazer isso da próxima vez – que você peça o tamanho mini. É super suficiente para alimentar uma pessoa normal faminta (se for o parmegiana – nos outros recheios, mais leves, o normal é de bom tamanho). O tamanho regular acaba sendo meio grande.

 

Quanto gastamos – fomos em dois, pedimos um Beirute parmegiana cada um e uns dois ou três chopes (que também é do bom) e o total da conta foi uns 55 reais.

 

Onde fica – Rua Oscar Freire, 603 – Jardins – SP

Tem também na Augusta, pertinho Espaço Unibanco

 

www.frevinho.com.br

Retomando

 

Depois de (longas) férias forçadas, vamos retomar a programação normal.

Peço desculpa pela ausência sem explicações e agradeço a paciência de quem (ainda) volta aqui.

A partir de agora, retomamos o ritmo de atualizações freqüentes.

 

É claro que neste intervalo eu comi E MUITO por aí.

Mas vou me manter fiel à proposta inicial deste blog: os comentários são baseados nas experiências recentes, e nunca nas lembranças dos lugares.

Por isso, retomo os posts com os lugares que fui nas últimas duas semanas.

Portanto,  alguns dos lugares visitados neste intervalo do blog serão comentados quando eu voltar lá (Ritz, Adega Santiago, Amsterdan Cafe…), ou então perderam para sempre a oportunidade de aparecer por aqui (o Kebab Salonu nunca mais me pega, o Be Fresh que desperdiçou a sua last chance…).

E vamos em frente!

Bar da praia

No domingo o almoço foi em um lugar curioso, do qual eu já tinha ouvido falar diversas vezes e nunca tinha tido a oportunidade de conferir. Como estávamos por perto (uns 30 Km), fui lá conhecer.

O Bar da Praia é bem isso que o nome sugere: um bar de praia. Cheio de árvores, mesas rústicas forradas com toalhas coloridas, uma grande área ao ar livre, teto de sapé, reggae tocando, cardápio de frutos do mar… o único detalhe é que fica a pelo menos uns 200 Km da praia mais próxima!

Os pratos são imensos, para ser divididos tranquilamente por duas (e algumas vezes até três) pessoas.

Provei o camarão a paulista, por recomendação do partner, que já conhecia o lugar. São (vários) camarões médios fritos, com muito alho e muita salsinha. Acompanha arroz e pirão. Adoro camarão, adoro alho, então não tinha erro.

E não teve mesmo. Estava muito saboroso, bem temperado. Os camarões estavam no ponto certo (eu acho mais difícil acertar um prato simples destes do que esconder um ponto errado no meio de uma montanha de molho), e o pirão estava gostoso, embora com pouco sal. O arroz… é arroz, né gente?

 

Hipocampo

No final de semana, tive um casamento no interior de São Paulo, e eu precisava comer por lá…

Na sexta-feira, saí do trabalho e fui para Amparo, que é a cidade onde aconteceria o casamento. Cheguei faminta no hotel – e fui salva pela gentileza da tia da cozinha, que me deu uns risoles de presunto e queijo que estavam uma delícia.

Quando chegaram os amigos, fomos para o bar “mais badalado da cidade”, segundo nos foi informado.

O lugar é realmente diferente, pelo menos para seres urbanos como eu.

Fica no meio de uma hípica. É uma construção sem paredes, de alvenaria, ampla e, logicamente, super ventilada (sexta feira isso queria dizer congelante, pelo menos quando chegamos). Para chegar lá, você precisa pegar uma estradinha de terra, estacionar no meio da grama (já dentro da hípica e, pasmen urbanos, de graça) e andar um trechinho, maior ou menor dependendo do horário em que você chegar, por um caminho de terra, desviando dos restos deixados pelos cavalos (sim).

Tem uma música ao vivo, e o ambiente é super animado. Tanto que depois de alguns minutos o frio já tinha desaparecido.

Os grandes destaques do cardápio são o sashimi e o carpaccio de tilápia, mas estes itens não estão disponíveis todos os dias. Desnecessário dizer que no dia que fui eles não estavam disponíveis.

Fomos então de pizza marguerita. As opções de sabores eram inúmeras, mas decidimos não arriscar… e nos demos muito bem. Dividimos duas pizzas (que eram de tamanho menor que o normal) em sete pessoas, e foi mais que suficiente. A massa era fininha, e o recheio bem farto. Vinham rodelas de tomate, muito queijo e manjericão fresquinho. Delícia, mesmo.

Para acompanhar, fui de caipirinha de limão cravo, gengibre e hortelã. Bah. Deveria ter ficado na cerveja (é o que farei da próxima vez).

Nos divertimos bastante, demos bastante risada, dançamos – a bandinha dava para o gasto.

Se você estiver pela região, de fato é um bom programa.

Onde fica

Xi…. vamos lá: saindo do centro de Amparo em direção a Monte Alegre / Serra Negra, passa-se por uma ponte. Entre na primeira à direita (tem uma placa indicando DER) e siga pela estradinha, que começa asfaltada e depois vira estrada de terra.

www.hipocampo.com.br

Não encontrei telefone nem horário de funcionamento. Mas é só perguntar na cidade que o povo sabe.

Cuidado, eles não aceitam nenhum tipo de cartão.

Quanto gastei – eu e marido gastamos 35 reais: as duas entradas, uma pizza e uma caipirinha (ele bebeu o uísque do noivo…)

 

Deli Paris

Na quarta-feira, tive um compromisso na Vila Madalena, e cheguei bastante adiantada (para escapar do trânsito, às vezes a gente chega com horas de antecedência no lugar, né?). Nem liguei em ter que esperar a hora marcada: fui correndo para a Deli Paris.

O lugar é um charme. Não é pequeno, mas tem cara de. Piso de cimento queimado, mesinhas de madeira – algumas na calçada -, paredes coloridas, e aquelas vitrines de tentações doces e salgadas.

Eu não tinha almoçado e eram umas cinco da tarde, então pedi uma quiche de espinafre – é quiche como se deve. Massa fininha e salgadinha, e recheio de massa de ovos, bem pronunciada, com bastante queijo – aqui e ali se percebem uns pedacinhos. Muito espinafre em folhas rasgadas, grandes, saborosas. Delícia, eu acho que a quiche deles empata com a do La Tartine no posto de melhor quiche de São Paulo.

A título de sobremesa pedi um cappuccino (fui uma mocinha controlada, porque a vitrine de doces deles é das melhores). Delícia, também. Café forte, chocolate aparecendo de leve, e um tantão de espuma de leite, bem cremosa, cobrindo tudo.

Na saída, fiquei de olho comprido para a tarte Tatin – a melhor que já comi na vida, maçãs inteiras sobre uma massinha muito fina e delicada – mas resisti à tentação de levar uma para casa.

Recomendo com todas as minhas forças.   

Onde fica:

Rua Harmonia, 484

Vila Madalena – São Paulo – SP

Tel. 3816.5911

www.deliparis.com.br

ps. cuidado, porque antes eles só aceitavam dinheiro e cheque. Quarta-feira aceitaram visa electron, mas não sei como é em relação a outros cartões.

Quanto gastei – 12 reais.

 

Doces Momentos

No final da tarde deste mesmo dia que almocei em Cumbica, bateu aquela fominha.

Estava em Campo Grande – MS. Entrei em uma loja chamada Doces Momentos. Como o nome sugere, é uma doceria – café. Uma graça de lugar. Decoração super moderna, espelhos nas paredes, piso de madeira, cadeiras confortáveis. Uma vitrine de doces simplesmente tentadora.

Pedi uma esfiha e um cappuccino.

Quando chegaram, eu já estava toda animada. A esfiha tinha uma aparência ótima. Dei a primeira mordida, veio uma massa fofinha e saborosa. Dei a segunda mordida, chegou o recheio, com um delicioso sabor de… sal. Mas não era assim, sal. Era SAL. Anotou bem? S-A-L. Mais duas mordidas, e a boca até inchou, só sal, puro sal. Não deu para terminar.

Óquei, acontece, pensei. Virei para o cappuccino. Hohoho… a lei das compensações, neam? Era puro açúcar. Assim, AÇÚCAR. Doce, doce, doce. Insuportavelmente doce. Também larguei no segundo gole. Fiquei com aquele gosto de açúcar na boca, e entendi o nome da loja…rsrsrsrsrs…

É claro que passei reto pela vitrine de doces (já tinha ingerido todo o açúcar recomendado para um mês) e fui embora rapidinho.

Onde fica

Rua Abrão Julio Rahe, 795

Campo Grande – MS

Tel. 67. 3325.0038

www.docesmomentos.com.br

Quanto gastei – uns 5 reais.